
E se um dia você cruzasse com alguém que um dia amou, alguém que marcou sua vida de um jeito que você nunca esqueceu? Como seria olhar nos olhos dessa pessoa e perceber que o tempo passou, mas as lembranças continuam vivas, pulsando com força?

Blue Jay (2016) é esse filme que vai nos fazer cutucar feridas que acreditávamos estar cicatrizadas. Em preto e branco, ele traz o peso das lembranças e o silêncio do que não foi dito.

Sob a direção de Alex Lehmann e com as atuações delicadas de Sarah Paulson e Mark Duplass, acompanhamos Jim e Amanda, dois antigos namorados que a vida separou. Anos depois, eles se reencontram ao acaso em sua cidade natal. A partir desse encontro, o filme nos arrasta para um dia inteiro em que o passado se impõe: lembranças retornam, segredos emergem, e uma intimidade adormecida volta a pulsar.

Simples e delicado, ele nos joga de frente com uma pergunta incômoda: O que fazemos com aquilo que perdemos? Guardamos na memória, na saudade, no silêncio que insiste em voltar à tona. Relembramos os momentos doces e amargos, revivemos o que foi bom e carregamos o que doeu. Em Blue Jay, cada risada e cada lágrima dos personagens me lembram que não existe fechamento completo; apenas a tentativa de seguir adiante enquanto o passado ainda vive dentro de nós.

O filme mostra que alguns amores se transformam em cicatrizes, alguns caminhos se fecham para sempre, e algumas lembranças nos moldam sem que possamos fazer nada para evitá-las. Mas também nos ensina algo sutil: o que perdemos não desaparece, mas pode nos ensinar a viver, a sentir e a reconhecer a intensidade de ter amado de verdade.

No fim, Blue Jay não dá respostas prontas, ele deixa a pergunta flutuando: se não podemos recuperar o que se perdeu, como seguimos em frente carregando aquilo que ainda vive em nós?
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